quinta-feira, abril 13, 2006

Fast food

Deixa-me rir

Essa história não é tua

Falas da festa do sol e do prazer

Mas nunca aceitaste um convite

Tens medo de te dar

Não é teu o que queres vender

Não...

Deixa-me rir

Tu nunca lambeste uma lágrima

Desconheces os cambiantes do seu sabor

Nunca seguiste a sua pista

Do regaço à nascente

Não me venhas falar de amor...

Pois é, pois é

Há quem viva escondido

A vida inteira

Domingo sabe de cor

O que vai dizer segunda-feira

Deixa-me rir

Nunca auscultaste esse engenho

De que falas com tanto apreço

Esse curioso alambique

Onde são destilados

Noite e dia

O choro e o riso

Deixa-me rir

Ou então deixa-me entrar em ti

Ser teu mestre só por um instante

Iluminar o teu refúgio

Aquecer-te essas mãos

Rasgar-te a máscara sufocante

Pois é, pois é

Há quem viva escondido

A vida inteira

Domingo sabe de cor

O que dizer segunda-feira

Jorge Palma

É triste a nossa sociedade de plástico, onde trocámos o amor pela paixão e a paixão pelo desejo. É triste acharmos que os sentimentos se consomem num leito, deitarmos ao vento verdades que se esqueceram de acontecer, porque quem as diz não as sente e quem as ouve não quer acreditar nelas. É triste termos esquecido a intensidade dos beijos, termos fechado os nossos olhares sob a cortina dos medos e das mágoas. É triste deixarmos as horas a queimar numa apatia feita de nada, só porque desistimos de procurar. Despimos a vida de noite e dia, de choro e de riso. Para nos protegermos... Deixamos de viver.

Por isso, deixa-me rir. Tu não sabes o que é rasgar a alma e deixar o coração despedaçado na calçada. Tu não sabes qual é a cor dos dias quando todas as estrelas se apagam. Tu não sabes o que é querer alcançar o infinito e esbarrar contra os horizontes claustrofóbicos da realidade. Tu não sabes falar de amor...

Ousa respirar por detrás dessa tua máscara, ousa verter a transparência do teu sorriso nos lábios de alguém, por uma vez... Só por uma vez... Ousa seres tu, exigir amor em troca de amor. Ousa ter asas, estar sedento de ternura e verás que isso não é loucura. Ousa viver!

2 comentários:

Bernardo disse...

"É triste a nossa sociedade de plástico, onde trocámos o amor pela paixão e a paixão pelo desejo."
O bispo a ensinar o pai nosso ao papa :P lol..
Mas pelo menos, posso dizer k nunca troquei o meu restaurante preferido por um fast food..que vi a cor do ceu ao anoitecer ao lado da pessoa k gosto, que nao fugi quando ela precisou de mim..e smp tive a sorte de estar por perto quando ela precisava...Concordo contigo, kd dizes k as pessoas tao a se tornar assim..mas há smp uns anormais que nao o fazer...Afinal o que é o normal?

Carla disse...

Nunca gostei de Jorge Palma...mas o sentimento esse que transmites...chega a sentir-se doloroso!